domingo, 3 de abril de 2016

#ScholarSunday e a comunidade de pesquisadores




Há um bom tempo, eu não apareço por aqui. Muita coisa aconteceu, tirando todo o meu foco do blog. Eu precisava terminar o mestrado (cuja defesa está cada vez mais próxima), dar aulas e sobreviver ao Dark Souls. Tudo uma questão de prioridades, não é mesmo?
Faz alguns dias que a vontade de escrever aqui voltou. Fiquei lembrando o quão legal é poder falar sobre a minha pesquisa, meus interesses e também lembrei que não preciso só falar sobre pesquisas. Afinal, o lançamento do Dark Souls 3 está logo ali e não deixarei de comentar!
Contudo, não posso negar que o intuito deste blog é escrever para colegas pesquisadores que podem ou não passar pelos mesmos percursos que eu. A busca por colegas (e possíveis amigos), que se interessam pelo desenvolvimento de problemas que só nós queremos resolver, continua.

Como não é muito fácil encontrar e começar uma conversa com brasileiros que tenham o mesmo interesse de pesquisa (ou façam pesquisa), eu acabo seguindo muitos perfis no Twitter de pesquisadores estrangeiros. Não sei se é só comigo, mas não consigo encontrar muitos brasileiros, no Twitter, que são pesquisadores e estão interessados em conversar sobre. Sigo alguns, como o @andrelesouza e o @andrelemos (caso queira ver mais alguns, eles estão em minha lista ), mas percebo que a abertura para a interação é bem pequena. Mas por que estou falando tudo isso?

Hoje, eu acordei e fui dar uma olhada no Twitter, já que retirei o App do Facebook do celular. Este aplicativo é tipo um buraco negro em que todo o seu tempo é sugado. Enquanto dava uma olhada nos últimos tweets, eu vi que havia uma hashtag muito interessante: #ScholarSunday. Acompanhando-a, havia indicações de perfis de pesquisadores e quais eram suas áreas. Vi desde um pessoal que trabalha com política pública, gênero, performance até amamentação. Eu nem sabia os questionamentos levantados sobre amamentação! Quando vi, eu já estava seguindo mais cinco perfis, pois me interessei em ver o que aquelas pessoas iriam postar e compartilhar sobre suas pesquisas.
Aqui estão alguns tweets que separei.






Você consegue perceber as possibilidades que essa hashtag tem? A comunidade de pesquisadores ficaria mais forte, pois aqueles com algo em comum iriam se aproximar, colaborando com a pesquisa um do outro. Além disso, conversas sobre temas como as últimas notícias sobre a Capes seriam discutidas e poderiam alcançar uma repercussão maior. Quantas pesquisas poderiam ser feitas em conjunto com outros pesquisadores se soubéssemos e pudéssemos discutir o que encontramos mais facilmente? Não é necessário ficar visitando o Lattes de cada um. Nós simplesmente podemos nos ajudar.

Claro, no Facebook nós já temos alguns grupos sobre divulgação científica, sobre algumas áreas e linhas de pesquisa. No entanto, há pouca contribuição e muitas vezes o grupo é inundado por conversas paralelas ou propagandas de eventos/revistas. Você vê discussões sem futuro em que não há possibilidade de uma contribuição positiva.

Talvez, a questão não seja adotar ou o Twitter, ou o Facebook. A questão é: fortalecer as relações entre pesquisadores, possibilitando uma conversa saudável e uma ajuda mútua.  

Quem quer ajudar a começar esse movimento?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

E sobre os trolls?

Não é novidade alguma para aqueles aventureiros dos grupos de Facebook ou fóruns: os trolls existem. Longe de se tratar das criaturas mitológicas que apareceram, nos últimos tempos, nas telas dos cinemas, falamos aqui dos trolls da internet.
Em seu livro "Hacker, Hoaxer, Whistleblower, Spy - The Many Faces of Anonymous", Gabriella Coleman faz bem ao começar o livro com um apanhado histórico dos trolls. É inevitável a menção destes ao se tratar dos Anonymous: eles nasceram em meio à cultura Troll.
Talvez, assim como Javert, em Os Miseráveis, eles queiram negar sua origem, focando, agora, em ações políticas, portando-se como justiceiros dos menos afortunados, daqueles que sofrem nas mãos de governos e instituições opressoras. Quem sabe? 
Mas a questão é: como a cultura Troll constitui o Anonymous se, por acaso, o interlocutor não souber o que é um Troll? De que maneira, discursivamente falando, a representação do Anonymous como um troll será construída? 
Cabe, supostamente, ao analista do discurso conseguir pinçar os vestígios dos discursos na materialidade linguística. Contudo, onde se encontra o limite do analista? Seria ele capaz de encontrar qualquer vestígio? 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Do quimérico ao "ciborguico"

O dia já faz com que meu corpo exija um pouco de descanso. Contudo, aceito meu próprio desafio de escrever este pequeno desabafo. Proponho-me colocar palavras para aliviar a angústia que surge com o conhecimento. É neste momento auspicioso da noite que me coloco como aquele que conhece a dor, o conhecedor, de uma questão fundamental particularmente.

Cyborgs não existem mais apenas em nossa imaginação: estão em todos os lados. Desde a modelo de prótese até o usuário da web, com seus perfis em redes sociais. Somos além, mas não melhores. Diferentes. O que acredito ser fundamental nisso é que: coloca-se uma questão para a humanidade.

O que nós somos?

Uma vez que as certezas acabaram, as verdades se multiplicam, guerreiam entre si, como podemos lidar com nós mesmos? 
A quimera ganha seu equivalente no século XXI. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

V de Vingança e o ir às ruas

Ainda no processo de análise de alguns excertos, deparei-me com o comentário de um rapaz que sugere a distribuição de máscaras de Guy Fawkes para representar a revolução. Como ele mesmo pontua, tal ato repetiria o que acontece no filme V de Vingança, momento do filme em que os cidadãos de Londres se reúnem em frente ao parlamento, vestidos com máscaras e capas.
A cena cria a sensação de um mar de anonimato ao mesmo tempo de vingança.
Questionada pelo investigador Finch, Evey diz

"Finch: - Quem era ele?
Evey: - Ele era Edmont Dantès. Era meu pai, minha mãe, meu irmão, meu amigo. Ele era eu, era você, era todos nós."


A cena foi construída de uma maneira significativa, uma vez que constrói o personagem V como uma ideia, o que é trabalhado por todo o filme, ao juntar o diálogo com a multidão mascarada. Fica mais claro quando, após a explosão, ou seja, logo depois que o símbolo de opressão é destruído, os rostos são expostos. Finalmente, eles podem ser quem realmente são. Neste momento, podemos ver vários rostos conhecidos e que apareceram durante o filme. Vale ressaltar a aparição dos pais de Evey, de Gordon e da pequena menina, morta por um agente Dedo. Todos eles eram como V. Entretanto, o que eles procuravam? Vingança ou justiça? Em que medida separamos estes dois?
Mantendo sua qualidade transmidiática, a cena é reforçada pela música, "a música dele", a Abertura 1812 de Tchaikovsky, cuja história remete à comemoração da vitória dos russos contra Napoleão, e  pelas falas de Evey citadas à cima.

A pessoa escondida pela máscara nunca seria lembrada. Funcionando como o invólucro de uma ideia, de um sentimento de toda a nação, o personagem V é a personificação do desejo de Londres. 
Acredito que no quadrinho, Alan Moore construiu melhor a questão do V como uma ideia. Não pretendo dar nenhum spoiler por aqui, logo, vá ler o quadrinho!

A questão é: há uma representação de que as máscaras dariam uma identidade de revolução, de vitória, assim como acontece no ápice do filme. Não há como desvencilhar a máscara do Anonymous também que é construído a partir do filme: hackerativistas que enfrentam grandes governos ou empresas. Uma revolução espetacular, tendo, como objeto de materialização desse espetáculo, a máscara.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Diário de um mestrado - Parte 1

Resolvi chamar esta (e tantas outras que espero fazer) como "Diário de um Mestrado". Ao contrário do que se possa pensar, eu não estou começando minha pesquisa. Eu esperava ter qualificado neste semestre, mas forças maiores não possibilitaram tal façanha, postergando para o ano que vem a qualificação e a defesa.

Com o intuito de manter um controle do que ando fazendo, eu pensei em colocar no blog minhas ideias quanto à análise e interpretações de meus excertos. Por mais que eu já faça isso em cadernos, tenho esperança de que ao tentar colocar essas informações em postagens, eu passe a escrever mais no blog.
Preparo-me para ir além das análises iniciais. Como acredito já ter encontrado três recorrências interessantes, eu espero aprofundar a discussão quanto ao Anonymous. Nos excertos, encontrei diversos seguidores da página falando sobre o Anonymous, mas dificilmente direcionado a ele. Há sempre uma suposição do que ele deveria estar fazendo, de como ele deveria pensar e as razões pelas quais as coisas aconteciam. Ou seja, existem diversas representações que se misturam, contradizem ou se encontram para criar aquele que tem a verdade.
Há toda a construção do mundo dos hackers, ligada ao poder que teria, e à figura do V de Vingança, herói do povo, cuja única missão é derrubar o governo através da união do povo.

Veremos no que vai dar

quinta-feira, 16 de julho de 2015

GEL - 2015 e Simpósio



Eu pretendia utilizar o espaço do simpósio para ouvir as ideias de meus colegas quanto ao que eu estava propondo. É muito difícil fazer qualquer tipo de empreitada sem ter um algum feedback de algum colega. Exatamente por isso, eu vejo a importância da formação de grupos de pesquisadores. Não é necessário que façam pesquisas sobre o mesmo tema, mas que estejam dispostos, algumas vezes, a ler e discutir o trabalho dos colegas.

Nosso simpósio foi nomeado como "Discursos midiáticos que atravessam a constituição das subjetividades na contemporaneidade". E posso dizer que me surpreendi com a quantidade de pessoas dentro da sala. Uma vez que, normalmente, existem várias apresentações ao mesmo tempo, dificilmente as apresentações vão ter uma sala com um público considerável. Para nossa surpresa, nosso simpósio foi escolhido por várias pessoas bacanas e que participaram ao final das apresentações.

Minha apresentação continha a últimas ideias que tive e que poderiam resolver grandes questões em minha dissertação.
Como minha pesquisa tem a ver com autoria dentro da web, por mais foucaultiana que seja, não há como se desvencilhar de tantas outras discussões sobre o autor. Pensei nisso quando, em uma disciplina, aprendi sobre narrativas transmidiáticas e o conceito dos produsers, característicos do que podemos chamar de cibercultura.
No final do semestre passado, eu terminei um trabalho em que aprofundava meu entendimento sobre narrativas transmidiáticas e o posicionamento dos usuários de hoje em dia que não apenas consomem o conteúdo, como também o pega e transforma, participando da autoria. Contudo, o nome do indivíduo se perde em meio a tantas outras informações contidas ali.
Pensando sobre os Anonymous, temos tantos textos produzidos sobre eles que fica difícil determinar quem foi o indivíduo que fez o vídeo ou editou a imagem. Isso não é importante, na verdade, para aqueles que vão ler esse texto. O que fará a amarra da narrativa, dando sentido para o que lê, deixando com o pensamento "olha só, isso faz parte/é dos anonymous" são pequenos ícones utilizados no texto.

Pense comigo: existem diversos símbolos que, como com os Anonymous, em outros casos, irá corporificar todo um universo, como um grande titã. Ele vira uma grande marca. Um grande hub que será o ponto de convergência de todos esses textos. Independente de como, eles precisam ter alguma conexão com essa brand e, para isso, utilizam ícones, easter eggs escondidos para criar os links.

Além disso, foi muito bacana poder ver a apresentação dos colegas e receber o comentário do pessoal que foi assistir.









quinta-feira, 2 de julho de 2015

Apresentação no GEL 2015

Todo ano, a comunidade científica segue uma rotina. Dentro desse cronograma pré-estipulado, o período de eventos científicos é, de longe, um dos mais caros e proporcionalmente úteis.
São nesses momentos em que aproveitamos para discutir nossos trabalhos, conhecer o que colegas da comunidade estão fazendo, receber algumas dicas de bibliografia e reencontrar amigos.

Em minha rotina, o Seminário do GEL (Grupo de Estudos Linguísticos) é um marco. Como se fosse, até então, uma exigência. Desde que estava na Iniciação Científica, eu participo. Assim, pude ver o quanto o evento permanece, mesmo acontecendo em lugares diferentes, com uma estrutura e um público parecido com os anos anteriores. Você reconhece, inevitavelmente, que está no GEL.

 Este ano teremos a 63º edição do seminário e, no dia 08/07, participarei de um simpósio com alguns amigos, cujas pesquisas conversam, de uma maneira ou outra, com a minha.
Infelizmente, ficamos com um horário bem cedo (08h30). Contudo, quem quiser comparecer, estaremos na sala 01, no prédio do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), na Unicamp. 
Minha sessão é formada por cinco pessoas que se interessam pelas questões do discurso e da atualidade em suas mais diversas dimensões.

A primeira apresentação será da Profª. Dra. Eliane Righi, cuja apresentação leva o título de "Entre a Resistência e a Anarquia: representações dos manifestantes de junho de 2013". Pelo que pude acompanhar das últimas falas da professora, ela tem visto questões como arquivo e o digital. 
Logo em segundo, eu apresentarei um recorte de minha pesquisa de mestrado. Dei o título de "Os Anonymous de Junho: uma reflexão sobre autoria dentro das redes sociais" para a fala, ainda pensando que estava um pouco cumprida. Mais para frente, eu darei uma ideia do que ela vai tratar.
O terceiro a se apresentar será o Prof. Dr. Carlos Zanotti. Eu não sei (e nem tenho algum palpite) sobre do que se tratará sua fala. Com o título "A Batalha dos Números: a estimativa de multidões como parte das estratégias argumentativas nas relações de poder medidas pela imprensa", eu suponho que ele vai retornar à questão da Mídia Ninja. Não tenho certeza.
Nossa quarta apresentação será feita pela Profª. Dra. Maria de Fátima Amarante. Sempre interessada pelas novas dinâmicas que o digital pode oferecer, acredito que o termo "hiperindividualidade", em seu título "Consumindo(-se) em Comunidades de Aprendizagem: entre a hiperindividualidade e a solidaderidade", pode se referir a uma condição do sujeito (pós)moderno que se constitui, principalmente, pelas possibilidades das novas tecnologias digitais.
Por último, meu amigo Me. Lucas Rodrigues falará sobre os moradores de rua, cujas narrativas se encontram no youtube. Vamos ver o que sua fala, cujo título é "Câmera, memória, ação: o morador de rua e suas narrativas em vídeos do Youtube, vai trazer para que possamos contribuir.

Sei que estou empolgado e caso você queira saber mais sobre o evento, é possível ver toda a programação aqui. 

Em minha apresentação, espero expor algumas das ideias que tive no desenvolver de minha pesquisa.
Meu interesse primário é, no momento, a questão de autoria a partir de Foucault. No decorrer de minhas reflexões quanto a este tema, deparei-me com algumas leituras e certas materialidades linguísticas que me levaram a uma linha de pensamento. 
O autor parece se materializar, no caso dos Anonymous, numa dinâmica de transmídia. Qual a relevância disso? Bom, ele passa a ser aquilo que vários criam, contradizendo-se, muitas vezes. Só que, no final, ninguém é responsável por ele a não ser aqueles o criam, dizendo como ele é, como deveria ser e o que fazer. 

A ideia inicial é essa. Veremos como ela vai se desenvolver para a apresentação!