segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

V de Vingança e o ir às ruas

Ainda no processo de análise de alguns excertos, deparei-me com o comentário de um rapaz que sugere a distribuição de máscaras de Guy Fawkes para representar a revolução. Como ele mesmo pontua, tal ato repetiria o que acontece no filme V de Vingança, momento do filme em que os cidadãos de Londres se reúnem em frente ao parlamento, vestidos com máscaras e capas.
A cena cria a sensação de um mar de anonimato ao mesmo tempo de vingança.
Questionada pelo investigador Finch, Evey diz

"Finch: - Quem era ele?
Evey: - Ele era Edmont Dantès. Era meu pai, minha mãe, meu irmão, meu amigo. Ele era eu, era você, era todos nós."


A cena foi construída de uma maneira significativa, uma vez que constrói o personagem V como uma ideia, o que é trabalhado por todo o filme, ao juntar o diálogo com a multidão mascarada. Fica mais claro quando, após a explosão, ou seja, logo depois que o símbolo de opressão é destruído, os rostos são expostos. Finalmente, eles podem ser quem realmente são. Neste momento, podemos ver vários rostos conhecidos e que apareceram durante o filme. Vale ressaltar a aparição dos pais de Evey, de Gordon e da pequena menina, morta por um agente Dedo. Todos eles eram como V. Entretanto, o que eles procuravam? Vingança ou justiça? Em que medida separamos estes dois?
Mantendo sua qualidade transmidiática, a cena é reforçada pela música, "a música dele", a Abertura 1812 de Tchaikovsky, cuja história remete à comemoração da vitória dos russos contra Napoleão, e  pelas falas de Evey citadas à cima.

A pessoa escondida pela máscara nunca seria lembrada. Funcionando como o invólucro de uma ideia, de um sentimento de toda a nação, o personagem V é a personificação do desejo de Londres. 
Acredito que no quadrinho, Alan Moore construiu melhor a questão do V como uma ideia. Não pretendo dar nenhum spoiler por aqui, logo, vá ler o quadrinho!

A questão é: há uma representação de que as máscaras dariam uma identidade de revolução, de vitória, assim como acontece no ápice do filme. Não há como desvencilhar a máscara do Anonymous também que é construído a partir do filme: hackerativistas que enfrentam grandes governos ou empresas. Uma revolução espetacular, tendo, como objeto de materialização desse espetáculo, a máscara.


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